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Erros de Cálculo no INSS: Como Identificar e Corrigir

Erros de Cálculo no INSS: Como Identificar e Corrigir¶

No DP, auditava cálculos previdenciários e encontrava erros em 30% dos casos. O INSS usa sistemas automatizados que não conferem documentos físicos, gerando distorções. Identificar um erro exige conhecer as regras de cálculo. Vou listar os erros mais comuns e como corrigi-los, baseado na Instrução Normativa INSS nº 118/2024.

Erro 1: Salários Não Computados¶

O mais frequente: contribuições que não aparecem no CNIS mas estão na carteira.

Como identificar:¶
  1. Pegue seu CNIS no site do INSS.
  2. Compare com a carteira de trabalho página por página.
  3. Marque os períodos faltantes (ex.: 2008 a 2010 sem salários).
Causas:¶
  • Empresa não recolheu ou recolheu com atraso.
  • CPF errado na guia de recolhimento.
  • Sistema do INSS não importou dados antigos.
Como corrigir:¶
  • Junte contracheques do período.
  • Solicite certidão de débito da empresa (se ainda existir).
  • Entre com revisão administrativa com os documentos.
Erro 2: Cálculo da Média Errado¶

A média para aposentadoria é feita com 80% maiores salários após julho/1994.

Como identificar:¶
  1. Pegue sua carta de concessão – veja os salários usados.
  2. Ordene seus salários do maior para o menor.
  3. Calcule 80% do total de meses após julho/1994.
  4. Some os maiores salários nessa quantidade.
  5. Divida pelo número de meses usados.
Exemplo prático:¶
  • 300 meses de contribuição após julho/1994.
  • 80% de 300 = 240 meses.
  • INSS deve somar os 240 maiores salários e dividir por 240.
  • Se usou menos meses ou salários errados, há erro.
Como corrigir:¶
  • Refaça o cálculo com seus dados.
  • Documente a diferença.
  • Solicite revisão com memorial de cálculo.
Erro 3: Coeficiente de Redução Incorreto¶

Para aposentadorias por tempo de contribuição antes da Reforma, havia coeficiente de redução para quem se aposentava antes da idade mínima.

Como identificar:¶
  1. Verifique sua idade na data da aposentadoria.
  2. Consulte a tabela de coeficientes da época.
  3. Calcule o benefício sem redução (se tinha direito à isenção).
Casos comuns de erro:¶
  • Tinha direito à isenção por atividade especial não reconhecida.
  • Coeficiente aplicado errado (tabela errada).
  • Idade calculada errada (meses e dias).
Como corrigir:¶
  • Prove a atividade especial (PPP, laudos).
  • Recalcule com tabela correta.
  • Entre com revisão.
Erro 4: Não Considerar Períodos Especiais¶

Tempo de insalubridade, periculosidade, professor, rural pode ter regras diferentes.

Como identificar:¶
  1. Liste todos os períodos especiais.
  2. Verifique se foram convertidos corretamente.
  3. Calcule o tempo total com as conversões legais.
Exemplo:¶
  • 10 anos em insalubridade grau máximo = 14 anos comuns.
  • Se o INSS contou como 10 anos, perdeu 4 anos.
Como corrigir:¶
  • Junte PPPs, laudos, documentos.
  • Faça conversão conforme lei.
  • Solicite revisão.
Erro 5: Correção Monetária Incorreta¶

Salários antigos devem ser atualizados monetariamente até a data do cálculo.

Como identificar:¶
  1. Pegue os salários nominais (valor da época).
  2. Atualize com índices oficiais (INPC, IGP-M, etc.).
  3. Compare com os valores usados pelo INSS.
Erros comuns:¶
  • Usar índice errado – cada período tem índice específico.
  • Não atualizar salários acima do teto.
  • Parar a atualização na data errada.
Como corrigir:¶
  • Use calculadoras oficiais do BCB ou IPEA.
  • Documente a atualização correta.
  • Solicite revisão.
Passo a Passo para Identificar Erros¶
  1. Solicite seu CNIS e extrato completo do benefício.
  2. Reúna carteira, contracheques, carnês.
  3. Faça uma planilha com todos os salários por mês.
  4. Verifique cada item da lista acima.
  5. Consulte um especialista se houver dúvidas.
Conclusão¶

Não assuma que o INSS calculou certo. Erros são frequentes e custam caro. Faça sua própria auditoria, documento a documento, número a número. Como eu dizia aos aposentados: “O cálculo do INSS não é bíblia – é um documento humano, sujeito a erro. Sua função é ser o auditor do seu próprio benefício.”


Fontes¶
  • Instrução Normativa INSS
  • Meu INSS